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terça-feira, 24 de março de 2015

Caminhos da floresta

Into the woods é uma produção que prometia tudo para ser fantástica: elenco maravilhoso, contos de fada, musical e Disney afinal de contas. Mas não foi bem o que aconteceu na minha opinião. 

O enredo gira em torno da um casal que não consegue ter filhos e da bruxa que aprisiona Rapunzel revelar que o motivo da esterilidade do casal foi uma maldição jogada por ela no passado. Para quebrar a maldição eles precisam encontrar uma série de artefatos presentes em contos de fada clássicos: uma capa vermelha, cabelo amarelo, uma vaca branca e um sapato de ouro. 

O filme meio que é dividido em duas partes: a primeira mostrando a jornada do casal para conseguir adquirir os artefatos mágicos que é a parte OK do filme e a segunda: quando um dos personagens (ou todos eles, como eles próprios argumentam no filme) deixam uma vilã escapar de um dos finais felizes dali. Foi nessa parte que o filme perdeu o fio da meada. 

Tudo ficou muito confuso e alguns personagens tiveram seus finais muito inconclusivos (tão inconclusivos a ponto de aparecerem numa parte e do nada sumir e não voltarem mais) e a mensagem que passa no final ficou um pouco sem sentido para mim pelo contexto do filme que era mostrar a importância da família. 

Super apoiava o filme terminar em um clichê imenso típico da Disney que seria finais felizes everywhere. Não entendi a intenção do diretor e dos produtores ao seguirem essa linha. O que salvou o filme? Bom, Meryl Streep que estava maravilhosa como sempre. E o Johnny Depp? A atuação dele foi mais breve que Portugal na Copa. 

Assista ao trailer: 

terça-feira, 3 de março de 2015

A teoria de tudo


Que o ano promete no quesito filmes bons isso não é novidade, e o que percebi olhando algumas listas de lançamentos para 2015 foi que vários deles tem um fundo de verdade, ou seja: baseados em fatos reais. O filme ''A Teoria de Tudo'' ou The Theory of Everything no título original vai nos apresentar a história de vida do físico Stephen Hawking e seu sucesso no mundo da física teórica em paralelo com seu declínio em razão de uma doença que tirou o movimento das pernas, a fala e a sensibilidade em algumas partes do corpo. 


Um papel de grande importância e destaque no filme foi o da Jane Hawking, ex-esposa de Stephen. A relação apaixonante e parceira dos dois consegue nos fazer pensar que estamos assistindo a um filme de romance fictício, pois a relação entre os dois é tão pura, verdadeira e natural que chega a ser estranho pensar que casais assim ainda existam. (Sim, estou acostumado a sempre esperar o pior das pessoas na vida real). 

Durante o começo da doença de Stephen, Jane segura praticamente sozinha o teto que desaba sobre a família que apesar de continuar muito unida e alegre, Jane não podia contar com a ajuda dos filhos ainda crianças para cuidar do pai e marido. É ai que entra o melhor personagem e a melhor atuação do filme: Jonathan (interpretado brilhantemente por Charlie Cox) um amigo do casal que vem para ajudar Stephen e a família com a doença. Que nos traz a outro ponto forte do filme: a amizade. Stephen recebeu apoio incondicional dos amigos. É uma relação muito bela de ser ver. 



Eu teria um coração de pedra se dissesse que o filme não emociona, principalmente quando lembramos que tudo aquilo realmente aconteceu com um jovem brilhante com um futuro brilhante (coisa que se concretizou). Ótimas atuações e uma também ótima direção de James Marsh o filme não passa despercebido e não deixa a desejar. Super recomendo! 

 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Uma poltrona e meio quilo de pipoca: Questão de Tempo

Minha vida finéfila (inventando alguma palavra para filmes que assiti em casa e não no cinema) não poderia ter começado de melhor maneira. 

O Henrique Junio do blog e do vlog Ensaio sobre a Inconstância já deve ter publicado pelo menos duas imagem deste filme no instagram dele. E sempre fiquei curiosa em assisti-lo. Não o encontrando no Netflix resolvi baixar (coisa feia) e rapidinho o download foi concluído e logo em seguida comecei a assistir o filme. 

Minha forma de classificar um filme como cinco estrelas e favorito é observando se este filme teve a capacidade de me fazer esquecer todo o resto ao meu redor e este teve. Questão de Tempo me fez isso.



Em Questão de Tempo, filme dirigido e roteirizado por Richard Curtis, Tim (Domhall Gleeson) fica sabendo através do seu pai (Bill Nighy) que os homens de sua família são capazes de viajar no tempo. Apenas no passado. A forma dessa viagem é bem simples: basta ir para um lugar escuro e imaginar a época que deseja visitar, e voilá! Ele viajou pelo tempo. A principio Tim não acredita no pai, mas logo faz seu primeiro teste voltando à noite da virada de ano novo e fazendo uma garota feliz. Seu pai o questiona como ele usufruirá deste poder e ele responde que iria tentar encontrar para si uma namorada e o pai disse que ele utilizou para ler livros de Dickens um autor que ele muito gosta. 


Então chegou a hora de Tim viver também o seu presente e logo ele irá parar em Londres para iniciar sua carreira de advogado e claro, encontrar uma namorada. Em uma saída com seu amigo, Tim conhece Mary (Rachel McAdams) - e para mim, este é um dos momentos mágicos do filme- e, claro se apaixona. Entretanto este momento é afetado no dia seguinte ao saber que o dramaturgo que ele convive teve alguns problemas com a sua peça que acabou de estrear e assim o nosso protagonista acaba fazendo algumas viagens para ajudá-lo.



Logo Tim perceber que algumas alterações podem trazer grandes consequências e ao longo do filme ele tenta notar quais são as melhores decisões que poderá tomar para a sua vida utilizando o seu poder.

Créditos: wewantparis.blogspot.com
A principio este filme pode parecer muito com “Efeito Borboleta”, mas tenho que dizer que gostei mais de Questão no tempo, claro, pois sou apaixonada por romances e este é um de muita qualidade. Outro grande motivo é que ele não é apenas um romance entre um casal, mas ele trata muito mais da relação de Tim com seu pai. Ao longo do filme você vai percebendo o tamanho do amor que os dois sentem um pelo o outro e a importância das decisões que os dois vão tomar, as viagens que vão fazer para se aproximarem ainda mais.

O filme além de conter uma excelente história tem uma trilha sonora sensacional e que nos faz vibrar e torcer pelo personagem. Também contamos com alguns momentos reflexivos, como por exemplo, o peso das nossas escolhas. É impossível não torcer e se apaixonar pelos personagens. E lá para o finalzinho pode esperar que algumas lágrimas devem cair. 

Trilha:




Uma ultima observação, para mim apesar de este filme conter viagem no tempo, ele é bem mais sentimental e não uma ficção cientifica.

Trailer:



terça-feira, 30 de dezembro de 2014

2014: O melhor filme assistido do ano, por: Allison Feitosa

Parece ser difícil escolher o melhor filme do ano para nós que temos o costume de assistir a várias produções, mas quando assisti a Her (Ela) eu tinha a certeza de que era aquele filme que ocuparia o lugar de melhor do ano, sem dúvidas. O filme foi lançado em 2013, tanto que levou até indicação para o Óscar que aconteceu esse ano, sendo indicado em 5 categorias e ganhando a de Melhor Roteiro Original, indicado em 3 no Golden Globe e ganhando a de Melhor Roteiro e em 6 categorias no Critic's Choice Movie Awards e ganhando novamente a categoria de Melhor Roteiro Original... dá para imaginar que o filme não pecou no quesito roteiro né? Pois vamos a ele,


O filme (escrito, produzido e dirigido por Spike Jonze) vai nos apresentar Theodore (Joaquin Phoenix) recém divorciado e ainda passando pela fase do desapego. Ele trabalha em uma agência que cria mensagens para cartas e cartões (coisa que nunca vi aqui pelo Brasil mas que já conhecia a ideia pelo filme 500 dias com ela) que um misto de agência publicitária e agência de cartões postais, como já disse, nesse lugar Theodore escreve cartas para outras pessoas (encomendadas por segundas pessoas) baseado em memórias, fotos e breve resumo e orientação de quem encomenda. A poesia do filme já começa de fato ai, percebemos que Theodore coloca muito de suas experiências próprias no conteúdo das ''cartas alheias''. O filme se passa em um futuro não tão distante do nosso (mas definitivamente mais bonito) e bem mais avançado tecnologicamente falando. Não muito diferente da nossa sociedade atual, nesse mundo as pessoas são dependentes de celular, aparelhos para comunicação em geral e entretenimento. Surge então uma empresa que tem a ideia de criar um sistema operacional que teoricamente possuísse emoções. O sistema seria individual e serviria como secretário(a) do usuário e outras coisinhas mais... 
Como Theodore é um homem solitário ele não titubeia e compra o S.O. para conhecer essa nova tecnologia e eis que descobrimos que sim, o S.O. possui uma espécie de personalidade própria que acaba apaixonando Theodore. (Ok, sem falar que a moça que faz o S.O. tem a voz sexy da Scarlett Johansson, NÃO assista dublado, você perde metade do processo criativo do filme, desculpa). 


A fotografia do filme é incrível e eu concordo com a Thalita quando ela diz que nosso mundo deveria ter aquelas cores:



É em meio a todo o caos comunicacional que Spike Jonze constrói seu cenário, pondo em pauta questões importantes como a comunicação entre o homem e a máquina e claro, a dependência que temos com a tecnologia. 


O filme é considerado uma comédia romântica mas eu considero ele mais drama que comédia. Ele passa sim uma aura alegre que você se pega sorrindo de vez em quando mas não lembro de rir com muita frequência para que ele seja considerado comédia. 


A trilha sonora presente no filme é basicamente instrumental, mas um ponto alto nela é nossa querida Scarlett em um dueto com Joaquin com a música The Moon Song: 


Já falei tanto desse filme mas acho que não consegui expressar metade do que senti ao assisti-lo, é simplesmente genial, super recomendado e claro, favoritado por mim. Segue o trailer e tenha um bom filme! 



''-Nunca amei ninguém como eu te amo.
-Nem eu. Agora sabemos como é.'' 


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Jogos Vorazes: trilogia + filmes já lançados!


Olá pessoas! Decidimos no nosso grupo do Projeto Literário que esse seria o desafio atual: contarmos um pouco da experiência de leitura da trilogia Jogos Vorazes e comentarmos um pouco sobre as adaptações cinematográficas já lançadas. 


Comecei a leitura da trilogia em meados de 2012 num grupo do colégio (eu fazia o terceiro ano na época) e lembro de que naquele momento o primeiro filme já havia estreado e ao contrário dos demais do grupo, eu ainda não havia assistido. Acho que demorei uns dois dias para concluir a leitura do livro 1 e no mesmo dia que terminei já fui assistir ao filme e achei aquilo tudo muito fantástico! Não lembro se foi a primeira distopia que li mas essa visão de revolta contra o governo e forças dominantes que o livro passava me trouxe muitos sentimentos, achei tudo muito interessante e inteligente a ideia de revoltas e lutas por direitos um pouco mais romanceados que o livro trazia. 


Não demorou muito para eu terminar a trilogia e achei tudo aquilo muito bom, sabe? Na época eu lembro que o meu preferido foi ''Em Chamas'', mas hoje em dia o ''A Esperança'' é meu preferido da trilogia com certeza. 

Assisti o segundo filme no cinema no ano passado e adorei a adaptação. Passou um ano e resolvi reler o A Esperança para lembrar direitinho o que acontecia já que o filme está prestes a estrear e veja bem: continuo gostando muito da trilogia, mas alguns clichês na narrativa e enredo que com minha bagagem cultural 2012 eu não fui capaz de perceber esse ano eu percebi... O começo dos livros é um pouco monótono sim, mas da metade para o fim o livro ganha ritmo e demonstra a razão desse sucesso estrondoso na literatura e nas telonas. Um ponto baixo nos filmes é a questão filosófica da personagem que narra (Katniss). No livro você sente toda a revolta pulsante justamente pelos pensamentos da garota, coisa que desaparece no filme. O roteiro deveria ter encaixado esse detalhe tão importante na trilogia que são os pensamentos da Katniss, mas vai entender né? 

Hmm, sobre o final? Não vou contar spoiler, relaxe! Mas acho que grande parte do que fez Katniss entrar na competição acaba perdendo o sentido com um acontecimento no finalzinho do terceiro livro... tá, tem tudo aquilo de querer mudar a nação, transformar em democracia, mostrar os direitos da população... mas a razão sobrepôs a emoção e não é um final que esperamos em romances YA. No mais é uma série recomendadíssima que os filmes conseguem ser bem mais instigantes (vamos combinar, Jennifer Lawrence né?) mas que vale muito a pena principalmente para distração e entretenimento! 

Até mais!


Não deixe de nos acompanhar e visitar os blogs participantes:

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Razão e sensibilidade - Jane Austen


Ok, acabei de ler esse livro tem uns 10 minutos mas precisava escrever algo sobre ele e ''conversar'' com vocês sobre essa leitura que me iniciou nesse mundo tão popular que é o de leitores de Jane Austen. 

Razão e sensibilidade vai contar sobre a vida de 4 mulheres: 1 mãe e suas 3 filhas, após a morte do patriarca da família. Sempre viveram bem, com direito de a pouco de ostentação aqui ou ali, mas depois da morte de pai, elas perderam a fortuna (digamos que passaram para a classe C) por fazerem parte do segundo casamento do pai (e por serem meninas, é claro). 

Começando uma vida modesta em um chalé emprestado pelo tio da mãe, Marianne e Elinor - o foco narrativo - tem agora que correr para conseguir pretendentes ricos e bem falados para dar continuidade ao sobrenome da família e para não ficarem mal faladas em uma época e lugar em que a reputação valia ouro. 

É essa a ideia do livro. Enredo esse que se fosse trazido aos dias atuais - escrito por uma autora contemporânea, quero dizer - não passaria de mais um chick lit ou dramalhão desses que temos aos montes. Mas espera, é Jane Austen e é um clássico, o que implica dizer que vamos encontrar uma escrita mais rebuscada e um estilo de vida totalmente patriarcal. 

Parece futilidade dizer que as mulheres da época só pensavam em dinheiro e existia sim o #instalove ou amor instantâneo que guiava as personagens, mas vamos colocar o pé no chão: o que mais as mulheres em 1800 poderiam pensar se não for procriar, fofocar e casar com um bom partido? é triste, mas foi parte da realidade durante um bom tempo, e a querida Jane Austen foi uma dessas mulheres. 

Confesso que quando o nome da autora me vinha a mente eu associava a alguém feminista que buscava colocar mulheres protagonistas em seus romances para justamente quebrar o paradigma da época, mas não encontrei nenhuma Virginia Woolf na escrita de Jane. Ela foi sim pioneira, mas de romances históricos, vestidos com várias camadas, espartilhos e bailes da sociedade. 

Foi uma leitura divertida e serviu bem para eu conhecer o estilo de escrita da autora e entender por que tem tanta gente ficionados por ela, mas se você pegar o livro para fazer uma leitura crítica, por favor: vista seu espartilho e transporte-se para 1800. 

Voltando ao enredo: o nome do livro: ''Razão e sensibilidade'' remete as irmãs principais: Marianne e Elinor. Enquanto a primeira morria de amores por homens que gostassem de ler e tivessem um bom gosto musical, a segunda além de carregar todas as suas dúvidas e responsabilidades nas costas ainda servia como uma espécia de mãe mais nova para a sensibilidade, digo, para Marianne. E bom, acredito que o nome poderia facilmente mudar para: ''Razão e dramaticidade'' que não iria perder nem um pouco sua essência, muito pelo contrário... 

Sobre o filme... 

 

Não consegui definir qual das personagens seria a razão e qual seria a sensibilidade, visto que achei ambas bastante parecidas, tendendo até para a neutralização eu diria. Ao todo é uma adaptação muito fiel e a escolha de elenco foi bem feliz. 

As partes chatinhas do livro conseguiram ser relevantes no filme e o destaque em Elinor que foi perdido no romance, foi recuperado na adaptação. Recomendo ambos! 



segunda-feira, 23 de junho de 2014

A Resposta - Kathryn Stockett



Logo que saiu o filme Histórias Cruzadas - The Help - me interessei muito por ele, mas descobri que ele havia sido baseado em um livro e fiquei com vontade de lê-lo. Acabou que por uma questão de acesso assisti ao filme antes de ler o livro e não me arrependo, mesmo após ter lido ao livro.

Passaram-se dois anos após eu ter assisto ao filme para eu poder ler o original e hoje vou falar da minha experiência tanto de ter visto ao filme quanto da minha leitura.

Quando iniciei a leitura de A Resposta eu tinha poucas recordações do filme o que não atrapalhou em nada na minha leitura, claro que alguns acontecimentos eram muito marcantes para eu poder esquecer.

O livro é todo narrado sob três pontos de vista, dois de duas empregadas domésticas negras, Albileen e Minny e o de uma jovem branca recém-formada em jornalismo, Skeeter. A história se passa no Mississippi na década de 60 onde o racismo era algo bem evidente. Naquele período era quase impossível mulheres negras terem outra profissão que não fosse empregada doméstica, já as mulheres brancas que trabalhavam o faziam para encontrar um marido. Albileen, uma das empregadas, em um determinado momento relatou que teve que deixar a escola para poder trabalhar e ela já esperava por isso, já que sua mãe foi empregada e a sua avó era escrava doméstica.



A Resposta inicia-se com Albileen contando um pouco sobre a sua vida e rotina, mas a história realmente começa quando Hilly – uma das patroas brancas – diz a patroa de Albileen que está deveria construir um banheiro para negros na garagem de casa. Este tipo de preconceito vem incomodando Skeeter – a jovem que se formou em jornalismo – e após ela ter arrumado um emprego em uma coluna sobre cuidados domésticos no jornal local por sugestão de uma grande editora ela começa a escrever sobre a vida das empregadas da sua cidade.

“Escreva sobre aquilo que a incomoda, sobretudo se isso não incomoda a mais ninguém.” Pág 96

Skeeter acreditava que seria fácil conseguir entrevistar estas mulheres, mas isso era um risco muito grande e muitas não aceitaram a proposta facilmente.

Não irei me alongar na história do livro, pois acho que ele é muito mais amplo que isso, quero apenas mostrar algumas coisas interessantes de se observar naquela sociedade.

O preconceito racial era tanto que os negros não podiam de forma alguma utilizar os mesmos talheres, pratos e copos que os brancos. Em um determinado momento um negro é espancando e acaba cego só por ter utilizado um banheiro público de brancos. Estamos falando de uma época em que a Ku Klux Klan, ou KKK, estava em atuação e Martin Luther King Junior lutava pelo direto dos negros.

Falar-se em direitos civis para negros era crime e se reunir com eles era muito perigoso, pessoas que o faziam tinha as casas incendiadas, perdiam empregos e amigos.

Negros e brancos não frequentavam as mesmas escolas, bibliotecas ou clubes, neste ultimo caso só podiam comparecer se estivessem a trabalho e uniformizadas. Aliás um branco não podia casar-se com um negro.

Porém o ódio que os negros recebiam dos brancos era recíproco, da parte dos negros ele existia por todo o sofrimento que foram submetidos e no dos brancos por eles estarem presos ao seu tempo.

Mas durante a leitura percebemos que apesar do preconceito racial ser o foco principal do livro, ele também vai tratar do preconceito de gênero. Uma coisa que fica bem claro é o papel da mulher, ela foi criada para casar, ter filhos, cuidar da casa e do marido. Seus empregos são sempre os de cargos mais simples e com menores salários, mesmo quando ocupavam o mesmo cargo de um homem.

“- O que... você quer, Skeeter? - perguntou ele, e eu estava meio tensa nesse momento, esperando que ele não estivesse planejando se embriagar de novo.
- Vou tomar uma coca-cola. Com bastante gelo.
- Não. - Ele sorriu - Quero dizer... na vida. O que você quer?
Respirei fundo, sabendo o que mamãe me aconselharia a dizer: filhos fortes e saudáveis, um marido de quem cuidar, eletrodomésticos novos e reluzentes, com os quais eu possa cozinhar refeições deliciosas e saudáveis." pág 225

Neste trecho me foi praticamente impossível não recordar do filme O Sorriso de Mona Lisa.

Todas essas coisas ocorrem enquanto o mundo está em processo de evolução, acabaram de criar a pílula anticoncepcional, latinhas com abridor e o homem fez sua primeira viagem ao espaço, mas levantar questionamentos sobre a sociedade ainda era errado, será que pensar também não é?

Ao ler este livro percebemos que ele foi um excelente resultado de um processo de pesquisa e a autora tem muita propriedade para falar o que foi dito, já que ela própria cresceu no meio desta sociedade. É importante dizer que ela cresceu sobre os cuidados de uma empregada negra. A escrita em momento algum perde o fôlego e o desejo de lê-lo só aumenta. Quase perdi a hora para o trabalho de tão imersa que fiquei na leitura.



Sobre o filme:



Assisti novamente a adaptação após a leitura do livro. Apesar de ter alguns pontos que se distanciaram muito do livro, e alguns destes eram até fundamentais, considerei o filme satisfatório. Algumas partes eu acho que quem leu o livro antes consegue compreender melhor e posso dizer que ele não mostra toda a opressão que é narrada no livro, como por exemplo, o afastamento das amigas de Skeeter, mas ainda assim gosto muito do filme.





Ps.: Em um post meu no Instagram minha amiga Aldrêycka comentou algo que eu pensei em dizer no post, mas acabei deixando passar, mas venho corrigir o erro. A tradução do título tanto filme quanto livro ficaram horríveis, no livro existe todo um trocadilho com o título, o que não deu certo por aqui.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Uma poltrona e meio quilo de pipoca: A partida




Sou um pouco desatenta com relação a cinema, só fico sabendo de muitos filmes por indicação de amigos, ou navegando pelo Netflix. Há duas semanas após conversar com um colega sobre livros ele acabou dizendo que eu também precisava assistir alguns filmes e eu concordei, e então ele me passou uma pequena lista. Hoje quero falar com vocês sobre um destes filmes, trata-se de A Partida, película japonês que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2009.

O longa conta a história de Daigo Kobayashi que após fazer um grande investimento em um violoncelo é dispensado da orquestra em que toca, pois a mesma será dissolvida. Isso acaba com o seu sonho de tocar. Após um pouco de reflexão Kobayashi diz a esposa que irá voltar para a sua cidade natal, e ela o surpreende dizendo que irá junto e assim eles irão iniciar uma nova vida.


Ao retornar à sua cidade ele encontra um emprego de nokanshi que consiste em preparar pessoas mortas para serem veladas e cremadas. O salário é maior do que esperado, já que ele não tem nenhuma experiência, mas não é visto com bons olhos, ainda assim Daigo precisa lhe dar com a vergonha e com o medo, pois ele ainda não havia visto nenhuma pessoa morta. A vergonha é tanta que ele decide não contar a sua nova profissão para a esposa.


Partida vai mostrar os sofrimentos de várias pessoas que perderam seus parentes e amigos, mas também vai tratar sobre preconceitos e medos.



O filme é de uma delicadeza que eu não havia esperado. Assisti totalmente no escuro, sem ler qualquer sinopse e foi uma tarefa muito difícil não derramar ao menos algumas lágrimas. Ele é tocante e profundo. A fotografia não foi a mais bonita que vi, mas a trilha e a história entraram para um das minhas favoritas. O final é um pouco previsível, mas ver como as coisas acontecem é que toca as nossas emoções.

 



quarta-feira, 28 de maio de 2014

About Marilyn Monroe #1



Falar de algo tão complexo como o universo é uma coisa difícil quando tentamos tirar do cérebro para o papel (ou para um post no blog, por exemplo). Marilyn Monroe foi uma mulher que essa palavra: ''complexo'', se encaixa perfeitamente ao descreve-la. 

Complexidade essa que foi construída desde o nascimento de uma menina chamada Norma Jean, em 1º de junho de 1926, quando foi teoricamente abandonada por sua mãe com problemas mentais: Gladys, e passou a morar com os pais adotivos Sr. e Sra. Bolender, antes de ficar ''pulando'' de orfanato a orfanato até ser aceita por si mesma e começar a construir uma identidade. 

O carro chefe de sua carreira é com certeza o belíssimo trabalho como atriz que Marilyn desenvolveu (não do dia para a noite como muitos pensam), depois de muitos nãos e trabalhos mal valorizados. Mas a atriz vem sendo construída desde sua infância. Ter que interpretar algo que você não é para ser aceito por um grupo de pessoas que hoje são sua família, mas amanhã já não se sabe, é um curso de teatro e tanto! 

Obviamente não sou historiador sobre a vida de Marilyn, mas o pouco que aprendi lendo biografias, assistindo seus filmes, lendo diários, vou tentar passar para vocês nas próximas partes dessa série. 

Por que eu admiro ela? Acho que quando vemos uma flor desabrochar pela primeira vez e sentimos aquela aura romântica, dramática e real do sobre o que é a vida e mal podemos esperar para sentir o perfume, conseguimos entender que aquilo é uma sensação única. Poder rever e sentir novamente essa sensação cada vez que assisto um filme da Marilyn e ver como ela era talentosa apesar do apesares, é um privilégio. E hoje, eu não dispenso mais privilégios. 

Espero que gostem da série e que eu um dia possa olhar para trás e dizer que consegui guiar um número legal de fãs da Marilyn. Até a próxima!