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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Lançamento: As sete luas - Salustiano Souza

O autor parceiro do blog Salustiano Souza está lançando seu mais novo livro: ''As sete luas - A saga de uma tribo'' pela Editora Giostri, do autor eu já resenhei o livro ''O Eterno Barnes''.
Confira capa + sinopse e outras informações sobre o livro:



Sinopse: ''A Usina de Belo Monte, no Pará, norte do Brasil, está sendo erguida rapidamente. Uma grande área de terra será inundada, trazendo incalculáveis prejuízos para a natureza e para os povos da região. Uma remota aldeia indígena é descoberta nessas terras, eles são diferentes, pois não querem contato com os brancos e não querem sair de suas terras.
A justiça determina que um agente do governo negocie com esses índios, para convencê-los a sair pacificamente. Um Capitão do Exército é designado para a tarefa. Ao chegar à aldeia ele tenta convencer o Pajé, dizendo que ele é o líder daquele povo e poderá decidir o destino deles. O Pajé então lhe pergunta:
- E se você pudesse decidir nosso destino?
Então ele explica ao aturdido Capitão:
- Teremos sete noites de lua cheia, e nessas sete noites você ficará conosco, viverá como nós, será índio como nós, e no final você decide nosso destino!
Um romance sensível e humano, onde a cobiça do homem “civilizado” contrasta com a pureza do coração, onde a avareza não mede limites para se impor de forma abrupta e violenta sobre a inocência pura encontrada ainda em estado bruto.''

O livro pode ser comprado diretamente no Site da Editora. Em breve vocês podem conferir resenha dele por aqui, até mais!

domingo, 22 de março de 2015

Fake - Felipe Barenco

Esse foi o primeiro livro nacional lido em 2015 e já me preparou para ler muito mais literatura nacional contemporânea durante o ano pois eu gostei muito da experiência de leitura! O livro tem como seu público alvo o jovem adulto e cumpre bem o seu papel de ''conversar'' com o público que está nessa época tão delicada e passageira que é a adolescência. 

''Senti o rosto esquentar. As palavras paravam na minha boca e não tinham coragem de sair. O bombardeio de pensamentos foi tão intenso que elas, as palavras, chegavam prematuras ou mortas.'' Pág. 76

Fake é o romance de estreia do autor Felipe Barenco e vai falar sobre vários temas delicados como pensar no futuro, a descoberta da sexualidade, perdas, formação de identidade... de uma maneira sutil e direta. Téo não enxergava perspectiva nenhuma em sua vida até conseguir entrar na faculdade dos sonhos e o peso da responsabilidade cair sobre seus ombros. Ao mesmo tempo que tenta conciliar estudos com diversão e família, diversos conflitos internos afloram e a descoberta da sexualidade que deveria ser natural na vida do garoto acaba sendo problemática: Téo é gay e mais difícil do que se aceitar vai ser fazer com que seus pais conservadores o aceitem como ele é. 

Em meio a tudo isso o autor fala de um assunto já bastante explorado e considerado tabu: doenças sexualmente transmissíveis, mais especificamente à AIDS. Se formos pegar toda a linha histórica do mundo e ''clicarmos'' em AIDS vemos que ela desde os primórdios foi considerada doença de pobre e sobretudo de homossexual. Pode parecer oportunismo por parte do autor falar sobre esse assunto em um livro jovem adulto com protagonistas gays mas a maneira como Felipe insere o assunto é de uma forma tão crua e direta que qualquer menção de nosso pensamento crítico ao oportunismo por parte do autor perde argumento. Ele não veio pedir para que tivéssemos pena de seus personagens... ele veio mostrar que apesar de já estável, à AIDS e demais doenças sexuais não desapareceram do nosso mundo e que ao contrário de pensamentos conservadores, todos nós estamos expostos. 

E é em meio a todo esse contexto que vamos percebendo a consistência e o crescimento dos personagens que aprendem a cada dia com os erros, que se permitem serem humanos e imperfeitos e que apesar da sociedade querer mascarar, manipular ou maquiar, conseguem conservar a essência e ter argumentos para defesa. O livro é drama mas Felipe soube colocar comédia nos momentos necessários para quebrar o clima de tensão que surge dentro do universo de Téo e dentro da mente do leitor. É um romance de estreia acima da média e que vai te fazer querer acompanhar Barenco por muitos livros futuros, e claro, descobrir e enxergar novas cores a cada página! 4 estrelas ;) 

''O horror é quando os anos passam e você tem a sensação de que todos eles foram iguais.'' Pág.130

Para mais informações e onde comprar: Site Livro Fake | Adicione a sua estante no skoob
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terça-feira, 10 de março de 2015

Lançamento: Os Malogrados de M. F. Santos

OS MALOGRADOS
Gênero: Romance histórico
Ano em que se baseia: 1763
Local: Reino de Cádiz em Castelha

A história tem como protagonista a jovem Marta; moça recatada que presenciou e viveu as turbulências e transformações que ocorreram em meados do século XVIII. Ela era filha de ex-barões, que perderam o condecorado título em virtude de serem acusados de conspiradores, embora os crimes nunca foram comprovados. Apaixonada pelo príncipe do reino, passou a travar encontros amorosos com ele sem a permissão do rei e da rainha. Se acaso os soberanos soubessem que eles ainda se encontravam, mandariam matar tanto ela quanto os pais dela.

A obra ainda tem como pano de fundo a Inquisição, a desordem política do país e a briga feroz e incessante entre ciência e religião. E por isso Marta criou forças não só para lutar por alguém que ama, mas também criar vínculos para a melhora das condições de vida dos mais próximos. 

Com uma gama extensa de personagens, o livro retrata vários fatos de época nos quais Marta é a principal mentora. As dificuldades encontradas entre escravos, mulheres e seguidores de outras doutrinas religiosas é bem relevante. Em suma, a obra descreve a incessante busca de ideais dos personagens, mais precisamente de Marta e do príncipe Lúcio, o homem que ela sempre declarou amar.*

Encontre no site da editora: APED e no Skoob!

*texto disponibilizado pelo autor

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Delirium - Carlos Patricio



Sinopse: Desordens. Distúrbios. INSÂNIAS! Este é o tema de Delirium. Nesta coletânea de contos o autor preza, sobretudo, pela diversidade e a originalidade. Pois em que outro livro você encontraria realidade virtual, experiência com alucinógenos, assassinos sádicos, debates sobre crenças e religião, um desabafo a la Kafka, e, até mesmo, os infortúnios de uma fofoca? Uma culinária diversificada e bem temperada para todos os paladares.
Ler Delirium foi como conversar com uma pessoa que sabe um pouco de tudo e nunca fica sem assunto. A variedade de assuntos sem temas específicos tornam-se uma obra em que tudo se encaixa mais cedo ou mais tarde e a diversidade de temas enriquece os contos de maneira bem traçada. 

Em Doutor Sádico encontramos temas bem pesados e atuais. Mentes psicopatas que começam a desenvolverem-se ainda na infância (levantando uma grande questão e impasse dos estudiosos do assunto). Cheio de referências e debates à arte e literatura o conto nos trás episódios que desencadeiam reflexões e mergulham fundo na mente de sádicos. O debate é o ponto alto do conto, deixando a narrativa de ação em segundo plano. Consegui me chocar com algumas cenas que o autor narra no livro e o sentimento de repulsa que creio ter sido intenção do autor, consegue ser palpável por nós nas páginas do conto. 

''- O grande Isidore disse em seus escritos que queria ser um animal selvagem, um tigre, para que pudesse matar e não ser considerado mau! Já eu, pelo contrário: ser mau é coisa que me agrada sem igual! - disse uma noite o Doutor Sádico, gargalhando.'' Pág. 25 



O segundo conto é chamado Truco e traz um tema corriqueiro: a violência e os assaltos, que hoje são comuns com pessoas de qualquer tipo, faixa etária e classe social, mostrando que todos estamos vulneráveis e na maioria das vezes nunca conseguimos saber qual será nossa reação em um momento desses. Diferente do primeiro que mostra a essência crua e áspera do ser humano, ''Truco'' mostra alguns elementos sobrenaturais e o quanto o medo nos transforma ao ponto de agirmos sem pensar. É um conto rápido e com um final bastante peculiar. 

O conto que vem em sequência não poderia ter um título melhor: Agoniado. O sentimento de agonia é passado de personagem para leitor e se você se identificar minimamente que seja terá a mesma sensação. Abordando sobre a depressão (o mal do século) como grande vilã e que causa (ou por consequência) de uma ansiedade latente do ser humano em meio a agitação da cidade. 

''A ansiedade é um sentimento degradante, vago, indefinido... Minha mente não para, não descansa um só instante. Um turbilhão de pensamentos desnecessários atrapalha minha concentração, acelera meu coração e adiciona tiques nervosos às minhas já toscar manias.'' Pág. 64

''Entro, então, na loja e pego um isqueiro e um maço do vermelho. Fito a embalagem e a imagem do câncer não me causa desconforto - trocaria, de verdade, o meu atual sofrimento por um tumor daqueles.'' Pág. 67 

Telefone sem fio é o quarto conto e a fofoca e escolhas erradas que fazemos por impulso são o foco do conto. Iniciamos relacionamentos sem pretensões e do nada a primeira gaveta está lotada de roupas alheias e tem uma escova de dentes não familiar na pia do banheiro e uma toalha molhada no chão. Tão rápido quanto a atração já temos uma pessoa que mal conhecemos dividindo nossa vida e muitas vezes o ''mal conhecemos'' é realmente algo gritante. Quanto a fofoca, quem nunca teve ou espalhou uma fofoca e ela acabou tomando proporções maiores que acabam por machucar outras pessoas? É realmente como um telefone sem fio: nunca chega apenas uma versão dos fatos para as pessoas. Outro tema bastante importante no conto é sobre a transmissão de DST's e a falta de cuidados que temos com a saúde sexual. 



''A questão de todas as questões'' é de longe o meu conto preferido. Fala sobre o que? debates sobre origem, religião e o que acontece após a morte. Um conto sobre milagres, esperança e o melhor: um abrir de olhos para uma sociedade alienada por um dos maiores causadores de longa data: a religião. Em um debate romanceado com ateus, fanáticos religiosos e agnósticos o conto mostra o impasse - podemos dizer mundial - que impede a evolução mental dos indivíduos que dentro da igreja pregam o amor ao próximo e fora dela sentem nojo ao ver uma demonstração de afeto entre pessoas que um livro grande, sugestivo e contraditório considera errado. A relação de religião e Deus é bastante discutida, desde pessoas que O imaginam como um senhor barbudo que decide quem morre e quem vive mais um pouco, a pessoas que acreditam numa força que promove o equilíbrio. O surgimento de uma espécie complexa como a nossa e se deixamos de existir após a morte também é tratado com bastante delicadeza no conto. Claro que infelizmente ainda não temos respostas (se é que um dia teremos) mas os pontos de vistas e opiniões citados são super válidos, principalmente se compartilhamos alguma delas. Lembrei de um título de livro que vi um dia desses, algo como: ''Aprenda a defender a sua fé'' e durante a leitura do conto eu associei: ''Aprenda a defender seu ponto de vista''. 

''E, mesmo se ele existiu, o fato de transformar água em vinho, andar na água, ressuscitar pessoas, revelar-se o Deus Todo-Poderoso, e filho dele, e tudo mais é, no mínimo, improvável. Se realmente houve o Jesus Cristo histórico, a quem os ''apóstolos'' creditam os tão famosos ensinamentos, significa apenas que ele era um grande pensador, tal qual Sócrates, Buda ou Confúcio, e não o Deus burro e cruel que a Bíblia afirma.'' Pág. 117

E o que mais gostei, pois me identifiquei bastante com o comentário, pois é uma coisa tão simples e verdadeira, mas que poucas pessoas chegam a conclusão: 

''Em minha opinião, é bastante provável que toda religião que ajude alguém funcione simplesmente como um placebo. Por exemplo: eu podia inventar uma religião agora mesmo, onde saberíamos que ela não condiz com a realidade, mas que seria útil se eu pudesse espalhá-la a bilhões de pessoas. Poderia inventar alguns princípios como ''respeite todos os animais'', ''alimente quem não tem do que comer'' e ''nunca use qualquer tipo de arma contra alguém'', e afirmar, ameaçar, que ''se não fizer isso será punido por toda eternidade por treze dragões gigantescos e impiedosos'' [...] Pág. 128

Só mais um quote! Prometo. 

''Eu detesto religião, como não canso de falar, mas o ateísmo para mim também não faz sentido! Visto que, para vocês, não há imortalidade depois do túmulo, o que faz a vida parecer absurda, sem um propósito!'' Pág. 145

Continuando, temos outro conto: ''O outro mundo de Henrique'' que traz um personagem cansado da monotonia do dia a dia casa/trabalho, trabalho/casa e busca adrenalina, emoção e distração em um mundo virtual onde um erro pode ser facilmente consertado conseguindo uma nova vida. 

''Pouco antes da virada'' mescla a experiência de um futuro melhor com um novo ano chegando com o choque ao saber que é um doente em estado terminal. 



O último conto da coletânea chama-se ''Lindos sonhos dourados'' (o título mais fo*a do livro) que trata sobre temas como opinião própria, repertório, conceito de certo ou errado e inveja, onde um personagem sente palpável a diferença de tratamento pelo seus pais ao seu irmão mais novo, decidindo então tomar as rédeas da própria vida e entrando em caminhos parcialmente sem volta. O conto que fecha o livro é que achei que mais conversa com o leitor, o mais interativo. Encontramos diversas referências a músicas e filmes que nos servem de alerta em devidas situações que encontramos no decorrer da vida. 

Foi uma experiência incrível a leitura de Delirium e como única ressalva sentida por mim: as histórias mescladas nos debates do decorrer do livro não chegam aos pés dos debates em si. Seja na forma de solução rápida de conflitos ou carência de personagens mais ''pé no chão''. Fora isso, o livro de Carlos Patrício está mais que recomendado por mim. É um misto de temas que agradam diferentes públicos e promove uma reflexão e introspecção no leitor fora do comum. 



Quanto a edição: o autor (que deve ter opinado na diagramação) e a editora estão de parabéns. A diagramação conversa bastante com o leitor tornando tudo muito interativo. Os desenhos, as páginas pretas, as citações em destaque... tudo em harmonia para não tomar o lugar da narrativa. 

Agradeço muito ao Carlos por te me enviado esta obra tão diferente e esperamos ver mais do autor aqui no blog!

PS: Tem uma playlist magnífica, diga-se de passagem. 

Se gostar, leia também:

[carta+a+uma+nação+cristã.jpg] 

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segunda-feira, 2 de junho de 2014

O portal de capricórnio - M. R. Olivieri


Sinopse: Tem gente que não acredita em outros mundos, mas na Encosta de Capricórnio existe um portal para um mundo mágico e desconhecido onde a jovem Dru Ruver e seus amigos vivem a maior aventura de suas vidas dispostos a salvar a humanidade. Porque há pessoas nesta vida que têm como habilidade ver o que ainda não foi visto, observando tudo aquilo que acontece sem ninguém notar. 

Recebi da autora há algum tempo, e resolvi ler agora o ''O Portal de Capricórnio'', um livro de fantasia com um pouco de ficção científica, que já está ganhando notoriedade lá fora com direito a traduções para alguns idiomas e prêmios!

Conhecemos Dru Ruver, uma garota aparentemente comum que está em um período de grandes mudanças. Logo em que ela chega em sua nova casa, recebe a visita de um homem misterioso, mal sabendo ela que a visita lhe trará mudanças de proporções gigantescas para sua vida futura.

Pesquisando artefatos ''encontrados'' por Dru, ela se depara com algo que pertence a uma civilização antiga e junto com uma equipe de cientistas, tradutores, professores, historiadores que pretendem ir mais além das pesquisas, entram em uma situação sem volta e é então que a trama começa a ficar política e misteriosa.

O título do livro já dá a entender um ponto chave da transição de fantasia para ficção científica, mas se você não fizer uso da imaginação, é legal descobrir durante a leitura junto com as personagens o rumo que a autora trilhou.

Eu não sei se é devido a eu já ter lido muita fantasia nacional que eu sempre consigo enxergar uma fórmula ou um esqueleto nesse gênero, e apesar da autora ter sim um diferencial (tramas políticas, distópicas) em algumas partes eu senti o ''mais do mesmo'' tão temido. Mas é exatamente esse diferencial que faz a leitura valer a pena. Eu me sentia dentro do livro, e as injustiças que vão acontecendo no decorrer da narrativa, te faz sentir o que a personagem sente: revolta.

''O Portal de Capricórnio'' é o primeiro livro de uma trilogia, e o modo como ele acabou nos mostra um gancho para a autora começar o segundo e que se ela seguir por essa linha, vai ser um livro muito bom, melhor que o iniciante.

Descartando essas ressalvas, eu recomendo sim a leitura do livro, principalmente devido ao segundo que - querendo ou não - a autora nos mostra uma pontinha dele no final do primeiro e promete um clima mais distópico de ''salvamos o planeta, mas somos o governo''.


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